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UM QUARTETO DE SUCESSO
Música, boa comida, ótimo atendimento e até mesmo futebol! Com isso, quatro amigos de São Bernardo mudaram a noite da região.
Por Marina Wodewotzky e Célio Franco
Liverpool, Vera Bar, Fonte Leone, Pimenta Bar e Bar Central. Já ouviu falar desses lugares? Cada um deles se destaca à sua maneira, seja pela música, pelo ambiente, pela boa comida ou pelo chope exclusivo. Mas há um ponto em comum entre eles, as mãos de Rivail de Carvalho, o Riva, de José Miranda, o Zé Miranda, de Antonio Carlos Sellan, o Boca, e de Carlos Miranda, o Carlinhos. |
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Os amigos se conheceram em São Bernardo, quando tinham cerca de 18 anos. Um dia, entre uma cerveja e outra nos bares do Tequila, do Bolinho e do Trambique, surgiu a idéia de abrir o próprio negócio. E deu certo. Inauguraram o primeiro bar em 1992 e depois disso foi um sucesso atrás do outro. Atualmente, com cinco casas, eles dão emprego para mais de 250 pessoas, além de terem mudado a cara da noite no ABC, já que, hoje, os bares do grupo de amigos atraem gente não só da região como também da capital.
Tiro certeiro • O plano de abrir um bar já estava na cabeça quando Riva, Zé Miranda e Boca descobriram um bom ponto na avenida Kennedy, em São Bernardo. Foi o pontapé inicial de todo o projeto. “Aquele lugar já havia vendido de tudo, mas nunca havia sido um bar. Eu tinha duas alternativas: ou fazia alguma coisa nesse sentido ou voltava a trabalhar em Londres. Não pensei duas vezes, vendi tudo que tinha e apostei na idéia”, conta Riva. |
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E a idéia era exatamente criar um bar com uma atmosfera inglesa. Para o nome, os amigos pegaram um mapa com todas as estações de trem da capital britânica e foram pensando em qual seria melhor, mas o nome Liverpool – cidade ao norte da Inglaterra – acabou surgindo. “É fácil de lembrar, tem os Beatles e um time de futebol, por que não?”, lembra Riva. “Assim que pegamos o ponto, enchemos a cidade de faixas com os dizeres ‘Vem aí, Liverpool’. E ninguém sabia do que se tratava. Quando abrimos as portas, em 1992, foi um superevento.” Zé Miranda conta que a maior parte da decoração foi emprestada de um amigo que tinha morado muito tempo em Londres. “Dois anos depois da inauguração da casa, fomos para Liverpool, compramos tudo e devolvemos para o meu amigo.” |
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Mania de futebol - Alguns detalhes acabaram fazendo do bar um sucesso, como a televisão de 34 polegadas comprada em um leilão. “Nunca tínhamos visto televisão em bar, mesmo em São Paulo. E, como o som do aparelho era muito bom, resolvemos exibir videoclipes. A partir daí, virou uma febre, todo mundo colocou TV nos seus estabelecimentos”, afirma Boca.
Mas o estouro veio mesmo com a Copa de 94, quando eles transmitiram um jogo de futebol por acaso. Bastou isso para o futebol virar a marca registrada do bar. “A Copa de 94 foi uma loucura, tinha gente que até deitava no chão ou arrumava um lugar entre as cadeiras para assistir às partidas. No segundo jogo, tivemos de fechar as portas porque tinha gente demais. A Kennedy ficou parada”, lembra Riva.
O Liverpool é o único no ABC a vender o chope Guiness, estando por isso entre as seletas 22 casas do Brasil que vendem a bebida irlandesa. Talvez por isso atraia tantas pessoas de outros países. “Há anos, as empresas multinacionais trazem estrangeiros para cá e eles sempre vão ao Liverpool, não tem jeito! E isso se tornou um ciclo, já que os que vão embora indicam para os que estão chegando”, conta Riva.
E história é o que não falta para essa turma contar. Uma vez dois homens estavam conversando em uma mesa quando um táxi chegou. De dentro dele saiu uma mulher que parou do lado da mesa com uma mala de roupas e jogou tudo em cima de um dos homens. Entrou no táxi e foi embora. Detalhe: ela estava de pijama! |
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Boa música • Uma discoteca e um bar com música ao vivo funcionando juntos, no mesmo local. O conceito era novo para a região e agradou logo de cara. Em 1998, nascia o Vera Bar. “Freqüentávamos muitas casas em São Paulo e surgiu a idéia de abrir um bar com música ao vivo no ABC. Conseguimos o ponto e demoramos mais de um ano para pensar em tudo, como o que íamos fazer, que nome íamos dar etc.”, relembra Riva. Para essa empreitada, os três amigos contaram com mais um reforço. Carlos Miranda, o Carlinhos, se juntou ao grupo. “O Vera Bar foi um sucesso tremendo, talvez o nosso maior. Ninguém concorria conosco”, diz. “Demos certo em mais esse segmento porque trouxemos uma proposta totalmente inovadora para a região, uma idéia original”, completa Zé.
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Somada a isso está a paixão do quarteto pela música, o que transformou o Vera Bar em referência musical. “Um bar sem música não tem vida. Afinal, não existe um ser humano que não começa a bater o pé ou a mão quando ouve um som que gosta, esteja acompanhado por quem for”, diz Riva. Para melhorar, a casa mantém uma parceria com o Bourbon Street, eleito pela revista Veja o melhor bar de música ao vivo de São Paulo. Isso garante que os maiores nomes do jazz e do blues passem pelo Vera, incluindo gente de Chicago e New Orleans, para delírio dos apreciadores. |
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REQUINTE E ESTILO ITALIANO
Um bairro de influência italiana merece um bar com boa comida italiana. Santo André estava começando a despontar no setor de lazer e gastronomia e os quatro amigos não desperdiçaram a oportunidade de abrir um negócio na cidade. Foi inaugurado então, em fevereiro de 2002, o Fonte Leone, no bairro Jardim.
A idéia era criar um bar que oferecesse ótimos pratos e um ar mais requintado. Para isso, o grupo teve ajuda de uma empresa de assessoria e de um artista plástico, que elaboraram o nome e todo o projeto arquitetônico. |
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A aceitação foi tão grande que várias reformas tiveram de ser feitas às pressas para suportar o fluxo de pessoas. “Foi melhor do que a gente esperava, desde o início a casa surpreendeu. Tivemos de criar uma estrutura muito forte para atender o público de Santo André”, diz Zé Miranda.
Bom e saudável - Para manter o alto padrão dos pratos servidos, o Fonte Leone e as demais casas do grupo contam com uma nutricionista que monitora a qualidade dos produtos, desde o recebimento até a mesa do cliente. “Mas só isso não basta. Os clientes andam muito preocupados com a saúde e nós temos de oferecer refeições leves e saudáveis”, receita Zé Miranda.
Um outro diferencial da casa são os cursos ministrados por enólogos, chefs e outros profissionais da área, dirigidos a qualquer pessoa que tenha interesse. A iniciativa foi tão bem aceita que tem público garantido em toda edição. |
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Receita que deu certo - Como em um bom prato, o segredo do sucesso da sociedade dos quatro amigos se baseia na sintonia e na complementariedade do que há de melhor em cada um deles. Quando não estão se dedicando aos negócios, Zé e Carlinhos gostam de curtir os filhos, enquanto Riva vai mergulhar em Ilhabela ou cultiva sua paixão por carros antigos. Boca, por sua vez, prefere viajar e ouvir uma boa música.
Mas, quando o assunto é trabalho, confiança e uma ótima sinergia garantem o bom funcionamento dos empreendimentos. Zé e Carlinhos ficam com a parte administrativa, Boca resolve qualquer problema operacional dos bares e Riva empenha-se na área musical e de relações públicas das casas.
Por tudo isso, e depois de tanto tempo, o quarteto adquiriu muita experiência. “Em 13 anos, já vimos muita gente se conhecendo, casando e hoje levam os filhos para freqüentar nossos bares. Temos clientes muito fiéis que nos acompanham desde o início e isso é muito gostoso”, diz Zé Miranda. |
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Um quarteirão de Pimenta • A idéia do nome já havia surgido na época do Fonte Leone e ficou guardada para a próxima empreitada. E ela surgiu. Em 2002, o grupo inaugurou o Pimenta Bar, que ocupa um quarteirão inteiro no bairro Jardim do Mar, em São Bernardo. O plano dessa vez foi oferecer ao público um lugar completo, onde se pudesse jantar, namorar, beber e dançar. A imensa varanda do local é ideal para um papo descontraído com os amigos ou um momento romântico a dois. Dentro da casa, uma pista de dança agita os freqüentadores, sextas e sábados a partir da meia-noite, ao som de salsa e outros ritmos latinos. “É difícil haver um bar que consiga acolher tanta gente, de gostos tão diversos”, orgulha-se Boca.
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No cardápio, comida mexicana, tailandesa, caribenha... Diferentes opções para ninguém colocar defeito. As pizzas também fazem muito sucesso, assim como os lanches de forno. O bufê dos sábados e domingos é outra marca do local, sem falar dos inusitados drinques de Moisés Barros, presidente da Associação de Bartenders do ABC e membro da IBA (International Bartenders Association). Suas deliciosas com-binações dão um toque especial não só às noites do Pimenta mas às de todas as casas do grupo. |
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A volta dos botequins • A febre dos botequins invadiu São Paulo e o quarteto não poderia deixar isso passar em branco. “A avenida Kennedy sempre cresceu depois do Liverpool e achamos que seria uma ótima oportunidade abrir um botequim por lá”, diz Riva. Assim nasceu, em 2003, o Bar Central, com um jeitinho todo carioca dos anos 50. “Cada idéia de projeto que temos, procuramos um especialista para executá-la. Para o Bar Central foi a mesma coisa, contratamos um arquiteto especializado em ambientação de botequins e o resultado foi ótimo”, explica Boca.
O chope, a picanha e a empadinha do lugar conquistaram rapidamente os fãs de uma boa comida de boteco. “Cada bar abrange um público diferente. Ou seja, além de darmos mais opções para os freqüentadores, nunca conflitamos com nós mesmos”, diz Carlinhos. |
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Além da qualidade do atendimento e dos produtos, o bom nível da equipe é apontado pelo grupo como um item fundamental para o sucesso dos empreendimentos. “Tem de haver muito treinamento e investimento em bons funcionários. Fora isso, trabalho, muito trabalho!”, diz Boca.
Carlinhos completa dizendo que a pessoa tem de estar muito preparada pra entrar nesse segmento, pois, apesar do brilho que apa-renta, há muitas dificuldades a serem enfrentadas nos bastidores. “Um bar abre à noite, mas começa a funcionar às 8h da manhã, sete dias por semana. Sem contar que, hoje, o investimento para criar alguma coisa de qualidade tem de ser muito alto. Não basta pegar um pouco de dinheiro e falar ‘vou abrir um bar’. Tem de haver planejamento, direcionamento e estar preparado para gastar muito.”
Planos para o futuro? Os amigos admitem que abrir um bar em São Paulo seria um gostoso desafio, mas no momento não têm nada em vista. “Nós fazemos o que o mercado pede. Onde surgir uma oportunidade, nós estaremos”, dizem, em uníssono. |
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